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24 de junho de 2013

Ao Vento



Palavras, vento
Palavras ao vento
Lançadas ao solo
Revertidas em sementes
Cultivadas como sonhos
Broto verde
Surgi
Urgi
A questão
Arrancá-lo como erva daninha
Ou ampará-lo
Sabedor de que seus frutos
Alimentar-nos-ão em presente-futuro
Por toda uma eterna vida
Levada não mais em vão?

Paula Junior

18 de maio de 2013

Os Segredos dos... Professores

Coelho da Páscoa, Sandman (Sonho), Papei Noel, Fada do Dente e Jack Frost (Garoto da Neve)


Coelho da Páscoa, Sandman (Sonho), Papai Noel, Fada do Dente e Jack Frost (Garoto da Neve), facilmente substituídos por Professor de Português, professor de Matemática, Professor de Educação Física, Professor de Geografia, etc.. Substituídos por PROFESSORES. No trailer do filme diz "Nossa missão é proteger as crianças do mundo, circulamos de diversas formas e sobre diversas circunstâncias, trazemos maravilhas e esperanças, alegrias e sonhos, e nossos poderes são maiores do que você pode imaginar desde que acreditem em NÓS".

Ao longo do filme, os guardiões entram em um debate "faz tempo que não brinco ou chego perto de uma criança" e então Papai Noel diz: "Estão tão preocupados em dar alegria para as crianças, em fazer o melhor todo ano, que não sei o que é ser... CRIANÇA". No caso aqui seria os alunos.

23 de abril de 2013

Palavras na Sombra



Procurei no dicionário
A classificação do advérbio lá
Não olhei na gramática
Por não tê-la por cá
Suscitou-se uma dúvida
A me incomodar
Qual seria a diferença de lá pra cá
Por se tratar de poesia
Uma confusão parece se instaurar
Afinal... do que eu estaria a questionar?

10 de fevereiro de 2013

O Retrato Oval





Edgar Allan Poe, 1842
 
O château em que meu criado se arriscara a forçar entrada, em vez de me deixar, em minha desesperadora condição de ferido, passar uma noite ao relento, era uma daquelas construções mesclando melancolia e grandeza que por muito tempo carranquearam entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo-nos num dos quartos menores e menos suntuosamente mobiliados, que ficava num remoto torreão do edifício. Sua decoração era rica, porém esfarrapada e antiga. As paredes estavam forradas com tapeçarias e ornadas com diversos e multiformes troféus heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra do château fez necessários; por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera-me tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do quarto – visto que já era noite – acender as chamas de um alto candelabro que se encontrava à cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro que a envolviam. Desejei que tudo isso fosse feito para que pudesse abandonar-me, ao menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura atenta de um pequeno volume encontrado sobre o travesseiro, que se propunha a criticá-las e descrevê-las.

17 de janeiro de 2013

Desmundo





Não é fácil aceitar, entender o porquê da vida. Viver para tudo acabar dessa forma. Talvez Deus ou o responsável por toda a criação não tenha pensado em como nos sentiríamos ao chegar esse dia.

Uma questão de crenças.

O desespero é tanto que a depressão cresce significativamente na população.

Uns se culpam por não terem sido a pessoa que seus pais sonharam. Outros, por não ter vivido com eles.

Pais não sabem como proteger seus filhos, aliás, se deram conta disso há pouco, deixaram a criação por conta da tecnologia e agora se veem presos num beco sem saída, pacientes estão sós em hospitais, pois os funcionários correm contra o tempo em busca de uma salvação que acreditam existir, o trabalho é desgastante e sair mais cedo uma vez não faria diferença. A família os esquece como quem compra uma roupa nova e aposenta as antigas.

21 de dezembro de 2012

Uma nova poesia paranaense?



O Blog Conspiração Indigente abre espaço agora para a revelação de um poeta contemporâneo paranaense ainda pouco conhecido, mas... é só questão de tempo.
Edson Daniel Huss nasceu em Pinhão, Paraná, no ano de 1974,  é acadêmico do curso de Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE e trabalha atualmente como gerente em uma empresa de entretenimento na cidade de Foz do Iguaçu. É autor de várias poesias e contos, porém, até o presente momento não publicou nenhum livro.


Tempo de infâmia

Um minuto na existência
Um instante de infâmia
Uma hora atormentada
Um ano na estrada.

Quem és o vilão do tempo?
Quem controla os intermináveis momentos?
Qual alegria tens, ao arrancar de mim
O rosto lindo que guardei no mais íntimo de
Meus pensamentos?

Um dia de espera
Um mês olhado o infinito da janela
Uma década de saudade
Um século na eternidade.

Tempo, tempo, tempo
Tirano cruel
Rouba a todo o instante
Os amores terrenos
E os leva para o céu.

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10 de setembro de 2012

Top 20 - Aberturas de Novelas - Parte 1

Faz muito tempo que não acompanho tele-novelas. No entanto, passo algumas vezes pela sala enquanto minha mãe as assiste. Por vezes, acabo pegando algum momento que passe uma música como fundo de uma cena. Confesso, isso me deixa triste. Trazendo isso para as aberturas das novelas, é com extremo pesar que as músicas presentes nas aberturas das atuais novelas das 19 e 21 horas são de péssimo gosto. Por isso, resolvi, resgatando principalmente lembranças de um passado, em alguns casos distante, 20 aberturas de novelas que foram boas. Dentre elas, algumas que eu considero clássicas. Esta primeira parte conta com as posições de número 20, 19, 18, 17 e 16.

20º Lugar: Duas Caras
Novela que foi ao ar no horário nobre, 21 horas, transmitida pela Rede Globo de Televisão, entre 1º de outubro de 2007 e 18 de maio de 2008. Escrita por Aguinaldo Silva e dirigida por Wolf Maia, Duas Caras teve 210 episódios.



A música da abertura é "E vamos à luta", de Gonzaguinha. O rítmo popular brasileiro somado à letra da canção consegue traduzir a trama da novela que mostra o contraste que existe entre as classes sociais no Brasil.

3 de agosto de 2012

Teresa

Entrei no elevador, dois sujeitos grandes e gordos estavam lá dentro. Um apartamento desse tamanho e só moram lá o velho e aquela vigarista, disse um deles. A filha-da-puta só quer o dinheiro do velho, respondeu o outro, mas ele não morre, noventa anos e não morre, ela deve estar muito decepcionada, já atura o velho há cinco anos.

Depois ficaram calados, saíram na minha frente. Na portaria perguntei ao porteiro, quem são esses dois caras que acabaram de sair? São filhos do doutor Gumercindo, ele respondeu. É a primeira vez que os vejo por aqui, eu disse. Eles não se dão com o velho, respondeu o porteiro. Desde que ele casou com dona Teresa só apareceram agora.

Eu sempre via o doutor Gumercindo saindo de braço com dona Teresa. Eles moravam no apartamento que ficava em cima do meu, costumávamos descer juntos no elevador, então trocávamos amabilidades. Eu abria a porta para eles, que agradeciam amavelmente. Dona Teresa não parecia de jeito nenhum uma mulher que tivesse casado por interesse.

Um dia depois de ouvir a conversa dos filhos no elevador, desci com o doutor Gumercindo e dona Teresa. Sem que percebessem, olhei dona Teresa atentamente. Ela cuidava do doutor Gumercindo com carinho e desvelo, nenhuma outra mulher no prédio tratava o marido daquela maneira.


20 de maio de 2012

Uma Nova Face

Desde pequeno eu fui um otário, obediente a todas as regras. Tinha medo das coisas que poderiam atrapalhar as outras pessoas. Tinha medo de não fazer o certo. Essa é a questão central. O que é o "certo"? O "certo" é um conceito maleável que está a favor daquele que o define, ou seja, a definição do "certo" depende do ponto de vista de quem o pratica.
Fui crescendo. Ao longo dos anos me esforcei para praticar o que eu pensava ser o certo e as recompensas que recebi não foram boas. Eu percebi que a definição, o conceito de "bom" e "ruim" parte da mesma perspectiva de "certo" e "errado".
As coisas não mudaram e eu segui crescendo.
Notei que a cultura do meu país não é algo admirável, não que eu tenha uma concepção erudita de cultura e que pense que há culturas melhores que outras, apenas não admiro a cultura do meu país. Não admiro porque nele há corrupção; há injustiças: assassinos, ladrões e estupradores vivem nas ruas; professores são ameçados, ganham pouco, se estressam muito; e as pessoas, os cidadãos não fazem nada. Não há o que admirar. Talvez, eu deva rir e gritar para os outros: a seleção do futebol é penta campeã, um atacante ganha 3 milhões enquanto um policial ganha 1.500 reais. O que dizer? Alguns da polícia também são corruptos.

15 de maio de 2012

True Love Story






I have changed my destiny. Since I was born I failed in my stories. What a pity! A day in my room, I saw a bird and a rose at my window. In this moment, I created my great love story: a man who made his love flies beside him.

14 de maio de 2012

Minhas férias, pula uma linha, parágrafo.

a Mariana Guedes me jogou uma borracha bem na cara. Mas a professora foi olhar para a gente só na hora que eu joguei a borracha de volta.


UM

O primeiro dia de aula é o dia que eu mais gosto em segundo lugar. O que eu mais gosto em primeiro é o último, porque no dia seguinte chegam as férias.
Os dois são os melhores dias na escola porque a gente nem tem aula. No primeiro dia não dá para ter aula porque nosso corpo está na escola, mas a nossa cabeça ainda está nas férias. E no último, também não dá para ter aula porque o nosso corpo está na escola, mas a nossa cabeça já está nas férias.
Era o primeiro dia e era para ser a aula de português mas não era porque todo mundo estava contando das férias. E como todo mundo queria contar mais do que ouvir, o barulho na classe estava mesmo ensurdecedor. O que explica o fato de ninguém ter escutado a professora gritando para a gente parar de gritar. Todo mundo estava bem surdo mesmo. Mas quando ela bateu com os livros em cima da mesa a nossa surdez passou e todo mundo olhou para ela.

11 de maio de 2012

Mafalda

Mafalda é uma personagem das tirinhas argentinas, criada e desenhada pelo cartunista Quino em 1962. Enfrentou a Ditatura Militar enquanto falava de censura, feminismo, crise econômica e política internacional.
A pequena Mafalda teve seu nome inspirado na novela de David Viñas, "Dar la cara". A principio foi criada para um cartoon publicitário com a finalidade de ser publicada no Diário Clarin, mas, Clarin rompeu o contrato com Quino e cancelou a campanha. Foi Julián Delgado, editor e amigo de Quino, que sugeriu a publicação do cartoon, sendo ele publicado em 29 de setembro de 1964 pela primeira vez. Nessa época Mafalda tinha apenas a mãe e o pai, o amigo Filipe foi acrescentado em janeiro do ano seguinte.
 Uma disputa legal surgiu em março de 1965, encerrando a publicação em 09 de março do mesmo ano. Em 15 de março a pequenina apareceu no jornal Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa época que Manolito e Susanita foram criados. O jornal faliu em 22 de dezembro de 1967, quando a mãe de Mafalda estava grávida. No dia 02 de junho de 1968, o cartoon voltou a ser publicado no "Siete Dias Illustrados". Quino decidiu acabar com a publicação em 25 de junho de 1973, voltando a desenhá-la poucas vezes, como em 1976 para uma campanha sobre os Direitos das Crianças.

23 de abril de 2012

La Canción de los Amantes Muertos

Amantes Mortos

Ela era bela e era boa
Perdoe-a senhor!
Ela era doce e era triste
Perdoe-a senhor!

Dormia-se em seus brancos braços
Como uma abelha em uma flor.

4 de abril de 2012

The Raven - Edgar Allan Poe

O Corvo


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria madrugada, toda noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

19 de novembro de 2011

Uma Viagem de Natal no Sul do Brasil

"O Papai Noel segurou as rédeas de suas renas e as chacoalhou, o trenó começou a ganhar velociadade e a subir".
Já era noite quando o senhor estava preparando tudo para sair. Olhou em sua lista, checou as crianças que seriam agraciadas naquela noite e traçou a rota. Já havia decidido: o primeiro continente a passar era a África, depois iria para o continente Americano, começando pelo sul. Depois o resto do mundo.
Enquanto fazia uma revisão em seu veículo e verificava se todos os detalhes para a viagem estavam prontos, não viu a hora passar. Nesse instante faltava menos de uma hora para a meia-noite e, por isso, chamou alguns de seus ajudantes para ingressar na viagem.
Um anãozinho atravessou o corredor puxando um saco vermelho maior que ele. O velho homem deu uma risada grave e falha, não acreditava que quase partira sem o principal: os presentes.
O Papai Noel segurou as rédeas de suas renas e as chacoalhou, o trenó começou a ganhar velociadade e a subir.
Certa vez, contei essa história ao meu sobrinho, ele me disse que Papai Noel não existia porque nunca vira um na noite de Natal. Então, eu perguntei a ele:
- A sua casa tem chaminé?
- Não. - ele me respondeu.
- Seus pais deixam as janelas abertas? - tornei a perguntar.
- Não. - ele disse.
- Então não há como você ver o Papai Noel, não é mesmo?
Ele ficou mergulhado em seus pensamentos e eu sabia que havia progredido.

22 de outubro de 2011

Os Quatro Magos

Eram quatro magos, surgiu mais um, do mal. Eles se confrontaram. Os bons fugiram para as montanhas. No caminho, encontraram um sábio na floresta que apontou o caminho: A alameda do profeta. Ele, profeta, previu uma guerra. Derrotados, os magos perderam os seus poderes. Assim, a magia desapareceu da terra.

9 de setembro de 2011

A Marca





Hoje, voltei ao colégio em que me formei, encontrei a professora de inglês que quer que eu faça estágio em sua sala. Vi as pedagogas que foram super legais comigo, principalmente a professora Márcia que, para muitos, é um terror, mas bem aventurados são aqueles que já assistiram suas aulas.
Encontrei a Graça, que aumentou o preço da fotocópia. Ela disse que as folhas custam caro e que ela queria um aumento, quem não quer um aumento, não é verdade? Claro, não é ela quem decide o valor das fotocópias, mas valeu a brincadeira.
Falei com a cozinheira cujo nome não me lembro, mas que sempre separou os melhores lanches para nós. Raras as vezes em que lanchei lá... mas o que importa era a intenção e o carinho que aquele lanche era preparado.

31 de julho de 2011

O Final

-Com uma conversa amigável que não vai ser.

-Calma Miguel -Isabel tentava controlar a situação- Vamos conseguir...

Júpiter interrompia:

-Quem disse que não, Miguel? Vamos primeiramente tentar a conversa amigável.

E foi o que aconteceu, porém... não deu muito certo.. O jeito seria partir para o Conflito mesmo.

-Fiquem tranquilos, -Júpiter tentava acalmá-los- estamos preparados, passamos um bom tempo nos preparando.

O clima de tensão foi quebrado por alguns instantes, com um comentário de Cérbero:
-Alguns séculos, é verdade.
A tensão voltou após Júpiter dizer:

-Agora é a hora, estamos perto de recuperar a Caixa Abnara. Vamos todos dar o melhor e vencer.

E foi feito assim.

10 de julho de 2011

Explicações à isabel






Amanheceu um dia sombrio, frio. Chovia e ventava também.

Isabel não sabia o que estava acontecendo quando Miguel chegou e disse:

-Não saia de perto de mim, tenho que te proteger.

-Do que? De quem? O que está acontecendo?

-Isabel, não faça perguntas, vamos para um lugar seguro.


-Junior?

-Na verdade, Júpiter.

-Miguel, o que está acontecendo?

-Calma Isabel, quando tudo estiver acabado, você vai entender.

-Ou não, Miguel. Pode ser que ela não entenda.

-O que está acontecendo? Quem é Júpiter? Porque...?